Instituto Amargen participa da série Por JF sobre os impactos das enchentes em Juiz de Fora

As enchentes que atingiram Juiz de Fora em fevereiro de 2026 deixaram marcas profundas em diferentes regiões da cidade. Casas foram afetadas, famílias perderam bens e comunidades inteiras precisaram lidar com os impactos de um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.

Ao mesmo tempo, a tragédia também revelou a força da mobilização coletiva. Voluntários, lideranças comunitárias, empresas, organizações sociais e cidadãos se uniram para apoiar quem mais precisava.

Meses depois, esse movimento voltou ao debate por meio da série especial Por JF, produzida pelo Grupo Tribuna em comemoração aos 176 anos de Juiz de Fora. Entre os convidados para compartilhar reflexões sobre o período esteve Raphael Leonello, um dos fundadores do Instituto Amargen e um dos articuladores das ações emergenciais realizadas durante as enchentes.

Sua participação trouxe uma reflexão importante: em momentos de crise, a solidariedade é fundamental. Mas é a organização dessa solidariedade que permite gerar impacto real.

Como tudo começou

Quando a cidade enfrentava as consequências das chuvas, o Instituto Amargen iniciou seu trabalho por uma etapa que muitas vezes passa despercebida: a escuta.

Antes de qualquer entrega, a equipe realizou visitas aos territórios afetados para compreender as necessidades reais das famílias e mapear as regiões mais impactadas.

Esse processo envolveu a escuta das demandas das comunidades; o mapeamento dos territórios atingidos; a organização das frentes de ação e a articulação com outras instituições e lideranças locais.

O objetivo era garantir que os recursos chegassem aos locais certos e que os esforços da população fossem utilizados da forma mais eficiente possível.

Quando ajudar exige estratégia

Durante sua participação na série Por JF, Raphael destacou que uma das principais dificuldades em situações de emergência é transformar a vontade de ajudar em ações coordenadas.

Em momentos de comoção, muitas pessoas desejam contribuir imediatamente. Porém, sem planejamento, parte dos recursos pode acabar concentrada em alguns locais enquanto outras comunidades permanecem desassistidas.

Por isso, além da mobilização de doações, o Instituto Amargen atuou na construção de uma rede de colaboração entre lideranças comunitárias, organizações sociais, órgãos públicos e parceiros da sociedade civil.

Enquanto as entregas aconteciam, também eram realizadas reuniões, alinhamentos e articulações permanentes com instituições e representantes dos territórios atendidos.

Entre essas ações estiveram conversas com órgãos públicos, reuniões com lideranças comunitárias, alinhamentos com organizações parceiras e construção de uma rede ativa de apoio ao longo de toda a operação. Conforme destacou Raphael durante a entrevista, impacto social também é articulação.

Tudo o que passou por aqui virou apoio real

A mobilização coordenada pelo Instituto Amargen permitiu que milhares de itens fossem direcionados para famílias afetadas pelas enchentes.

Na frente de água e atendimento emergencial, foram distribuídos:

  • 2.127 litros de água potável;
  • 100 metros de lona;
  • Materiais para ações emergenciais, como botas, pás, enxadas e equipamentos de apoio;
  • Centenas de itens para recomposição das residências, incluindo móveis, colchões, toalhas e roupas de cama.

Já na área de alimentação, a rede mobilizada possibilitou a entrega de:

  • Mais de 300 kg de arroz;
  • Mais de 150 kg de feijão;
  • Mais de 30 kg de macarrão;
  • Mais de 200 kg de açúcar;
  • Óleos, cafés, leites e outros alimentos essenciais;
  • 900 cestas de alimentos orgânicos;
  • 55 vales-gás.

As ações também contemplaram a recuperação das condições básicas de higiene das famílias atingidas. Foram distribuídos:

  • 68 kits completos de limpeza;
  • 74 kits completos de higiene;
  • 442 detergentes;
  • 1.125 litros de água sanitária;
  • 320 sabonetes;
  • 35 vassouras e rodos;
  • Mais de 70 buchas e diversos outros materiais de limpeza;
  • Mais de 300 litros de sabão líquido.

Além disso, houve uma atenção especial às necessidades de grupos mais vulneráveis. Foram entregues:

  • Mais de 1.200 fraldas infantis;
  • Mais de 200 fraldas geriátricas;
  • 30 kits para mães;
  • Itens de bebê e higiene pessoal;
  • Mais de 1.400 peças de roupas íntimas novas.

O trabalho continuou depois que as águas baixaram

Um dos pontos destacados por Raphael Leonello durante a entrevista ao projeto Por JF foi que o trabalho não terminou quando a fase emergencial passou.

As consequências das enchentes ainda seguem impactando famílias atingidas por meses, exigindo novas formas de apoio e acompanhamento.

Foi nesse contexto que surgiu uma das maiores mobilizações realizadas após o período mais crítico: a arrecadação e distribuição de kits escolares para estudantes da rede municipal.

A ação reuniu empresas, organizações, voluntários e apoiadores em um esforço coletivo para garantir que crianças e adolescentes pudessem retomar suas atividades escolares com dignidade.

O resultado foi a entrega de mais de 1.700 kits escolares completos, beneficiando estudantes de 17 escolas municipais e alcançando moradores de mais de 30 bairros de Juiz de Fora.

O projeto foi desenvolvido em rede com a Secretaria Municipal de Educação, por meio da Subsecretaria de Gestão Operacional (SSGO), do Departamento de Planejamento e Informatização de Dados (DPID) e da Supervisão de Gestão de Dados Escolares (SGEDE), reforçando a importância da colaboração entre diferentes setores da sociedade.

Além dos kits escolares, o apoio alimentar também continuou acontecendo por meio da distribuição de cestas e outros itens essenciais para famílias que ainda enfrentavam dificuldades decorrentes das enchentes.

Durante seis meses, famílias localizadas nos bairros Dom Bosco, Monte Castelo e Parque das Águas vão receber, de forma quinzenal, cestas de alimentos orgânicos, doadas por meio da Benassi e do Goodtruck, parceiros do Instituto por meio de outras duas ações: o Mercadinho Comunitário e a Feirinha do Amargen. Serão entregues 585 cestas, totalizando a distribuição de aproximadamente 4,5 toneladas de alimentos orgânicos.

Para onde toda essa ajuda foi

A atuação do Amargen alcançou diferentes regiões da cidade. A base de operação foi estruturada no bairro Dom Bosco, mas os atendimentos e entregas chegaram a diversas localidades, incluindo:

  • JK e Parque Burnier;
  • Santa Cecília;
  • Parque das Águas;
  • Monte Castelo;
  • Bairro Industrial.

Além disso, doações também foram direcionadas para comunidades como:

  • Esplanada;
  • Cerâmica;
  • Linhares;
  • Milho Branco;
  • Jardim Natal;
  • Francisco Bernardino;
  • Santa Rita.

A mobilização ainda alcançou municípios da região, como Ewbank da Câmara e Matias Barbosa.

O papel das lideranças comunitárias

Outro aprendizado reforçado durante a participação do Instituto Amargen na série Por JF foi a importância das lideranças comunitárias.

São essas pessoas que conhecem profundamente a realidade dos territórios, identificam rapidamente as necessidades locais e ajudam a construir respostas mais eficientes para cada situação.

A experiência das enchentes mostrou que soluções construídas em conjunto com as comunidades tendem a gerar resultados mais efetivos e duradouros.

É uma lógica que o Instituto Amargen já aplica em seus projetos permanentes e que se mostrou ainda mais necessária durante o período de crise.

Aprendizados que permanecem

As enchentes deixaram desafios, mas também importantes aprendizados para Juiz de Fora. Entre eles, a compreensão de que responder a uma emergência vai muito além da distribuição de donativos. Exige planejamento, escuta, articulação e construção de redes de apoio capazes de atuar antes, durante e depois das crises.

A participação de Raphael Leonello na série Por JF ajuda a registrar essa experiência e ampliar o debate sobre a importância da organização social em momentos de calamidade. Porque quando a solidariedade encontra estratégia, os resultados chegam mais longe.

Sobre o Instituto Amargen

O Instituto Amargen atua em Juiz de Fora desenvolvendo projetos voltados para educação, esporte, cultura, sustentabilidade, geração de renda, promoção de direitos e fortalecimento comunitário.

Atualmente, a instituição impacta centenas de pessoas todos os meses por meio de iniciativas que promovem oportunidades, autonomia e transformação social.

Durante as enchentes de 2026, o Amargen esteve à frente da articulação de ações emergenciais e de reconstrução social, conectando recursos, parceiros e comunidades para ampliar o alcance da ajuda humanitária e contribuir para a recuperação dos territórios atingidos.

Confira a entrevista completa concedida por Raphael Leonello ao Grupo Tribuna na série Por JF.

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